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No dia 26 de março de 1987, a cena urbana nacional perdeu Alex Vallauri, artista singular, reconhecido pelo seu ímpeto criativo e expressões inovadoras. Como ressalta o artista plástico Celso Gitahy, no livro Graffiti em SP, além de se expressar quase que isoladamente pelos muros e paredes do país, Alex conquistou lugar de destaque em importantes mostras e bienais internacionais e, sobretudo, entre artistas que atravessavam cotidianamente, desde então, a cidade, com suas obras espalhadas pelas paredes cinzas da metrópole.

Assim, ainda na madrugada posterior a sua morte, já no dia 27 – número da sorte de Alex, como revela Gitahy – foram muitos os admiradores e novos artistas, influenciados e, muitas vezes, incentivados por Vallauri que invadiram o ‘buraco da Paulista’ com cores e imagens, prestando a devida homenagem a um dos ícones da arte urbana contemporânea no Brasil.

A partir desse dia, nos anos seguintes, às margens da instituição, os grafiteiros e grafiteiras elegeram Vallauri como referência e assim o Dia do Graffiti foi instituído: primeiro nas ruas e depois pelo governo, por meio da Lei Municipal nº 13903/2004.

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Homenageado/2016

O que a gente pode, quer, aguenta, precisa ver na cidade?

 

Mauro Sérgio Neri da Silva é grafiteiro, artista visual e engajado. É fundador do IMARGEM e cunhou a expressão “agentes marginais”, referindo-se a todas e todos que atuam nas bordas da cidade, nas margens físicas, sociais e políticas da cidade.

Lá no sul da Zona Sul, na beira da represa Billings, em 2002, Mauro começou a produzir vazão da margem, tomando os muros e eventualmente as galerias.

A formação acadêmica faz a gente ver o traço fino e delicado do desenhista, a experiência nas ruas faz a gente ver o traço firme e rápido do grafiteiro.

Não dá para falar de grafiti em São Paulo, sem falar dele, sem reconhecer que é provocação a arte nos muitíssimos muros que o Mauro ocupa.

A casa-direito, a casa-cidade, a casa-apego, a casa-desejo, a casa-medo, a casa-identidade, a casa-poesia, a casa-repulsa, a casa-liberdade carregadas pelas figuras humanas pedem para ver e pensar.

Mauro atua produzindo arte de rua que se espraia, incidindo nos debates sobre as políticas públicas da cultura e sobre o direito à cidade.

 

Por Valéria Lopes
Doutora pela Faculdade de Educação da USP

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